Vanguardas e Semana de Arte Moderna

3º ano H Grupo 4

Introdução

Segundo o dicionário informal, vanguarda é uma linha de frete; o que se localiza à frente de; aquilo que inicia uma sequência: quando o assunto é moda, gosta de estar na vanguarda.

Artes. Literatura. Movimento que apresenta conceitos novos e modernos, de conteúdo geralmente artístico: vanguarda modernista.

Inovação de ideias, de tendências, de opiniões e pontos de vista: movimento literário de vanguarda.

O papel ativo e protagônico caberia às vanguardas, localizadas no interior das entidades representativas, de modo a construir um novo projeto de Sociedade pautado na busca pela equidade e emancipação da vida humana.


As vanguardas européias foram movimentos culturais que previam rupturas com as estéticas precedentes ao início do século XX. O progresso industrial, avanço tecnológico e até mesmo o da medicina, juntamente com a disputa do mercado financeira ocasionaram a Primeira Grande Guerra. Na Europa, o clima estava propício ao aparecimento de novas vertentes artísticas sobre a realidade. Surgiram inúmeras tendências na arte, principalmente manifestos advindos do contraste social: de um lado a burguesia eufórica pela emergente economia industrial e, de outro lado, a marginalização e descontentamento da classe proletária e a intensificação do desemprego. No Brasil, a escravidão dava lugar a mão de obra livre na transição da Monarquia para a República. Os movimentos culturais que surgiram nesse período foram responsáveis por manifestos como o Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo, também chamados de Vanguardas Européias. A denominação vanguardas se deu por se tratar de um movimento de arte e cultura e europeias por ter sua origem na Europa.

O Surrealismo nas Artes Visuais

Surrealismo é o movimento artístico caracterizado pela expressão do pensamento espontâneo e impulsivo. Foi lançado na França, na década de 20. Foi inspirado na psicanálise de Freud, que diz que devemos libertar nossa mente da lógica imposta, indo contra os padrões estabelecidos e seguir o inconsciente.

Foi através da pintura que as ideias do Surrealismo foram melhor expressadas. Os artistas plásticos representavam o mundo concreto por meio de suas emoções. As obras são caracterizadas com formas curvas, linhas fluidas e muitas cores.

O movimento artístico dividiu-se em duas correntes. A primeira, representada principalmente por Salvador Dalí, trabalha com distorção e justaposição de imagens conhecidas. Já os artistas da segunda corrente libertam a mente e trabalham com o involutário. Joan Miró com O Carnaval de Arlequim e A Cantora Melancólica simboliza esta corrente muito bem.

Expressionismo nas Artes Cênicas

O Expressionismo é uma vanguarda europeia que se desenvolveu principalmente na Alemanha, por volta de 1910, e se estendeu à Europa e América. Esse movimento artístico tem como característica a expressão dos sentimentos e emoção do autor, sem se prender à representação fiel da realidade. Esses aspectos são muito perceptíveis nas obras de pintores expressionistas, como Van Gogh e Oskar Kokoschka.

O Expressionismo no teatro apresenta principalmente a quebra de linearidade do texto, inovação no cenário, interpretação exagerada e Iluminação sombria para criar contrates claro-escuro. Apresenta também o lado tenso e exagerado dos sentimentos por meio da estética grotesca.

Metrópolis

Diretor: Fritz Lang

Gênero: Ficção cientifica, drama

Lançamento: 4 de novembro de 1927


Apesar de ter sido redigida no declínio do Expressionismo alemão, ainda são perceptíveis muitos aspectos desta vanguarda no filme Metrópolis. Uma das características mais visíveis do expressionismo na obra é a atitude dos trabalhadores de andarem sempre cabisbaixos, com roupas iguais, passos ritmados e sem qualquer tipo de identidade, indicando uma forte presença da estilização expressionista.

Apresenta também temas expressionistas, como a luta de classes, o conflito entre gerações e a busca pela igualdade social. No filme há uma clara distinção de classes sociais, aonde os ricos permanecem na superfície da cidade e os operários trabalham e habitam no subterrâneo, com péssimas condições de vida e de trabalho( fazendo uma analogia aos subúrbios da sociedade), indicando a luta de classes. Há também o frequente desentendimento entre Freder, o ator principal, e sei pai Joh Fredersen, o governante da cidade, que mostra o conflito de gerações entre os personagens. Por fim, nota-se a busca pela igualdade social na revolução promovida pelos operários, almejando melhores condições de vida.

Pode-se mencionar também o cenário sombrio apresentado. Principalmente na fabrica nota-se este cenário, trazendo a ideia de tristeza, desanimação, melancolia e insatisfação dos operários por estarem reclusos àquele ambiente.

The Complete Metropolis - Official Trailer [HD]

Vestido de noiva


http://semac.piracicaba.sp.gov.br/ceta/vestidodenoiva.pdf


Ano: 1943

Autor: Nelson Rodrigues


"Vestido de noiva" é considerado uma obra expressionista devido à temática inovadora, fazendo crítica à hipocrisia da sociedade do Rio de Janeiro no séc. XX, à prostituição, à fidelidade matrimonial e ao casamento.

Nelson Rodrigues obteve êxito em suas peças pelo fato de, ao mesmo tempo em que agradava sua plateia, também a insultava.

O cenário apresenta três campos de atuação, que são divididos em três planos: memória, aonde as lembraças de Alaíde reaparecem e se concretizam com imagens do plano de alucinação, alucinação, que se apresenta quando Alaíde está em busca e tem diálogos esclarecedores com Madame Clessi, prostituta que se impunha perante à alta sociedade e fora assassinada pelo namorado à muitos anos, e realidade, aonde Alaíde é atropelada e não resiste aos ferimentos.

Outro fator que marca a presença do expressionismo nesta obra é a importância dada ao diretor, que na interpretação original da peça, é também o encenador. Ziembinski revolucionou o teatro com seu rigor na encenação e com sua atuação como encenador, trazendo o foco do ator para o diretor.

O Futurismo na Música

O futurismo é um movimento que rejeitava o puritanismo e o passado, adepto ao movimento e desenvolvimentos tecnológico que ocorriam no final do século XIX. Existiam também, futuristas, no início do movimento, que vangloriavam a guerra e a violência. Na música, as composições defendiam o lema de "a arte dos ruído" feita pela criação de instrumentos que produzem gama de sons, conhecidos também por "entoados de ruídos". Em 1922, em São Paulo, os modernistas se reuniram na Semana de Arte Moderna em virtude das propostas estéticas renovadoras e das intervenções estéticas das vanguardas.

Os futuristas introduziram ruídos a suas composições. Para Russolo a música havia chegado a um nível de complexidade extrema que ele acreditou que incorporar ruídos como parte da língua musical seria a próxima etapa a se seguir, criou-se o manifesto "a arte dos ruídos". Sons como estouros, explosões, vozes de animais, homens, gritos, sussurros, gemidos foram agregados as composições do movimento. Os músicos dessa época acreditavam que a música deveria expressar a alma da sociedade para que foi composta. No século os avanços tecnológicos como trens, navios, aviões e carros eram vistos como o que eles haviam descrito como alma da sociedade.

As obras de Luigi Russolo demonstram o ruído característico da época ao projetar um instrumento denominado "Intonarumori". A gravação do fonógrafo, feita em 1921, contém obras como Corale e Serenata onde ambas trabalham com reprodução de sons de máquinas misturados com orquestras convencionais. Em 1913 a obra Veglio Di Una Città, parte do "The Art of Noises", apresenta sons de carros, tambores ora separados ora juntos, pode, também, perceber os ruídos modificando os sons ouvidos. Os trabalhos de Luigi foram compostas durante a revolução industrial fazendo com que suas obras afirmem as vantagens que o homem ganhou com a modernização mundial como a maior capacidade de apreciar sons mais complexos, ele acreditava que o barulho seria a substituição da música futura.

Semana de Arte Moderna e Modernismo

A Semana de Arte Moderna teve a intenção de reestruturar a arte e a cultura, tanto na literatura, quanto na música, nas artes plásticas e na arquitetura, criando assim uma arte brasileira. Ocorreu em 1922, em São Paulo, e, durante esse tempo, a cidade passou por um rompimento com o passado. A semana trouxe diversas inovações, todas criticadas pela elite da época, pois esta era acostumada a estética européia. Monteiro Lobato, por exemplo, censurou demasiadamente a pintora Anita Malfatti, mas o incidente serviu apenas como estímulo para a realização da semana.

O descontentamento com o passado fez com que os artistas tomassem a iniciativa de criar vanguardas com novos valores. Foi uma fase de desordem e conflitos político, cultural, social e ecônomico, onde as vanguardas surgiram para acompanhar essa nova população indignada.

Os artistas brasileiros procuravam uma nova identidade, baseando-se no Futurismo, Cubismo e Expressionismo, movimentos que não seguiam os padrões antigos. Durante a semana, surgiram artistas como Víctor Brecheret na escultura e Anita Malfatti na pintura. Entre os escritores modernistas evidenciam-se Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira, que teve seu poema "Os Sapos" declamado por Ronald de Carvalho na semana. Ronald foi rejeitado pela platéia que o vaiou e gritou durante a leitura.

A principal herança deixada pela Semana de Arte Moderna foi a independência da arte brasileira da arte européia, dando início à construção de uma cultura nacional. Foi após ela que movimentos artísticos como Pau-Brasil, Verde-Amarelo e Grupo da Anta ocorreram. Apesar de não ter dado início ao Modernismo no Brasil, o influenciou profundamente, pois foi a partir desse evento que a arte moderna teve maior divulgação e seus princípios foram criados.

Big image

Os Sapos - Manuel Bandeira

Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.


Em ronco que aterra,

Berra o sapo-boi:

-Meu pai foi à guerra!

-Não foi! -Foi! -Não foi!


O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: -Meu cancioneiro

É bem martelado.


Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos!


O meu verso é bom

Frumento sem joio

Faço rimas com

Consoantes de apoio.


Vai por cinquenta ano

Que lhe dei a norma:

Reduzi sem danos

A formas a forma.


Clame a saparia

Em críticas céticas:

Não há mais poesia,

Mas a artes poéticas...


Urra o sapo-boi:

-Meu pai foi rei! -Foi!

-Não foi! -Foi! -Não foi!


Brada em um assomo

o sapo-tanoeiro:

-A grande arte é como

Lavor de Joalheiro.


Ou bem de estatuário.

Tudo quanto é belo,

Tudo quanto é vário,

Canta no martelo.


Outros, sapos-pipas

(um mal em si cabe)

Falam pelas tripas:

-Sei! - Não sabe! -Sabe!


Longe dessa grita,

Lá onde mais densa

A noite infinita

Verte a sombra imensa;


Lá, fugindo ao mundo,

Sem glória, sem fé

No perau profundo

E solitário, é


Que soluças tu,

Transido de frio.

Sapo-cururu

Da beira do rio.

A obra "Os Sapos" representa o caminho seguido pela poesia brasileira nos anos seguintes a Semana de Arte Moderna, quando foi recitado. O autor, ao longo do texto, repreende as regras parnasianas: comer hiatos, dar importância as formas e nunca rimar cognatos.

Os sapos descritos são metáforas de tipos de poetas. O sapo-boi, o sapo-tanoeiro e o sapo-pipa são os poetas parnasianos. O sapo-tanoeiro, ou "parnasiano aguado", fala de sua poesia com exaltação, sempre defendendo-a e elogiando-a. No final, aparece o sapo-cururu, solitário e diferente dos outros, pois não segue as normas parnasianas, ou seja, é o poeta moderno.

Manuel Bandeira inova ao criticar o Parnasianismo e combater o tradicional e o conservador, como todas as Vanguardas fazem. Ele usa muitas rimas ricas e algumas pobres, representando o Modernismo surgindo em meio ao Parnasiano.