Meu querido Umbigo

Há alguns meses atrás, estava em casa (como habitual), em família (como habitual), a ver o telejornal (como habitual). Passou uma notícia interessantíssima sobre os naufrágios no Mediterrânio. Mostrava centenas de imigrantes a morrer ao tentar fugir dos seus países (como habitual), por causa da fome e da guerra (que são bastante habituais).

“Olhar para o próprio umbigo”, uma expressão adequadíssima. Todos os dias, você acorda e está demasiado ocupado a preocupar-se com os testes, jantares importantes, excesso de peso, prazos a cumprir e outros milhares de pequenos assuntos. Mas esquecemo-nos que há uma infinidade de situações a decorrer à nossa volta, que apesar de não nos afetarem diretamente, afetam milhões de pessoas. Não o censuro, pois eu faço exatamente o mesmo.

Quantas vezes nos perguntamos como será não ter ninguém com quem falar, não ter uma migalha de pão na mesa, ou nem ter uma mesa, uma casa…? Nenhuma, porque afinal, temos tudo isto, o resto é perfeitamente irrelevante. A questão é: quão forte pode ser este sentimento de vazio, que faz com que haja CENTENAS a pôr a sua vida em jogo, de forma a arriscá-la esperando uma mudança que pode nem ocorrer? Você era capaz?

Com 5 euros, compramos material escolar para uma criança africana, é pouco para nós, muito para eles. Olhe à sua volta e pense que se calhar o seu umbigo não é tudo neste mundo.

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