Língua Portuguesa

Curiosidades / Utilidades

Uso dos Porquês

Emprego dos Porquês


POR QUE


    A forma por que é a sequência de uma preposição (por) e um pronome interrogativo (que). Equivale a "por qual razão", "por qual motivo":

    Exemplos:

      Desejo saber por que você voltou tão tarde para casa.
      Por que você comprou este casaco?



    Há casos em que por que representa a sequência preposição + pronome relativo, equivalendo a "pelo qual" (ou alguma de suas flexões (pela qual, pelos quais, pelas quais).

    Exemplos:

      Estes são os direitos por que estamos lutando.
      O túnel por que passamos existe há muitos anos.



POR QUÊ


    Caso surja no final de uma frase, imediatamente antes de um ponto (final, de interrogação, de exclamação) ou de reticências, a sequência deve ser grafada por quê, pois, devido à posição na frase, o monossílabo "que" passa a ser tônico.

    Exemplos:

      Estudei bastante ontem à noite. Sabe por quê?
      Será deselegante se você perguntar novamente por quê!


PORQUE


    A forma porque é uma conjunção, equivalendo a pois, já que, uma vez que, como. Costuma ser utilizado em respostas, para explicação ou causa.

    Exemplos:

      Vou ao supermercado porque não temos mais frutas.
      Você veio até aqui porque não conseguiu telefonar?



PORQUÊ


    A forma porquê representa um substantivo. Significa "causa", "razão", "motivo" e normalmente surge acompanhada de palavra determinante (artigo, por exemplo).

    Exemplos:

      Não consigo entender o porquê de sua ausência.
      Existem muitos porquês para justificar esta atitude.
      Você não vai à festa? Diga-me ao menos um porquê.



Uso do acento agudo indicativo de crase

CRASE


A palavra crase é de origem grega e significa "fusão", "mistura". Na língua portuguesa, é o nome que se dá à "junção" de duas vogais idênticas. É de grande importância a crase da preposição "a" com o artigo feminino "a" (s), com o pronome demonstrativo "a" (s), com o "a" inicial dos pronomes aquele (s), aquela (s), aquilo e com o"a" do relativo a qual (as quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a crase. O uso apropriado do acento grave, depende da compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendimento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exigem a preposição "a". Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um artigo ou pronome. Observe:


    Vou a a igreja.
    Vou à igreja.


No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição "a", exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo "a" que está determinando o substantivo feminino igreja. Quando ocorre esse encontro das duas vogais e elas se unem, a união delas é indicada pelo acento grave. Observe os outros exemplos:


    Conheço a aluna.
    Refiro-me à aluna
    .


No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto (referir-se a algo ou a alguém) e exige a preposição "a". Portanto, a crase é possível, desde que o termo seguinte seja feminino e admita o artigo feminino "a" ou um dos pronomes já especificados.


Há duas maneiras de verificar a existência de um artigo feminino "a" (s) ou de um pronome demonstrativo "a" (s) após uma preposição "a":


    1- Colocar um termo masculino no lugar do termo feminino que se está em dúvida. Se surgir a formaao, ocorrerá crase antes do termo feminino.


    Veja os exemplos:

      Conheço "a" aluna. / Conheço o aluno.
      Refiro-me ao aluno. / Refiro-me à aluna.


    2- Trocar o termo regente acompanhado da preposição a por outro acompanhado de uma preposição diferente (para, em, de, por, sob, sobre). Se essas preposições não se contraírem com o artigo, ou seja, se não surgirem novas formas (na (s), da (s), pela (s),...), não haverá crase.


    Veja os exemplos:

      - Penso na aluna.
      - Apaixonei-me pela aluna.

      - Começou a brigar.- Cansou de brigar.
      - Insiste em brigar.
      - Foi punido por brigar.
      - Optou por brigar.

Atenção: lembre-se sempre de que não basta provar a existência da preposição "a" ou do artigo "a", é preciso provar que existem os dois.

Quando usar a Crase? - Aula gratuita de Português para Vestibular Enem e Concursos Língua portuguesa
Professor Pasquale Explica - Pontuação

Uso da vírgula

Aprenda definitivamente a usar a vírgula com 4 regras simples

A vírgula é um dos elementos que causam mais confusão na língua portuguesa. Pouca gente sabe ao certo onde deve e onde não deve usá-la. O motivo disso é bem simples: sempre nos ensinaram do jeito errado!


Você deve lembrar da sua professora falando coisas como “a vírgula é usada para indicar pausa”, “prestem atenção em como vocês falam, quando tiver pausa, usem vírgula”. Isso é besteira, pois cada um de nós fala de um jeito diferente, usa pausas diferentes e, basicamente, decide como quer falar.

Pois bem, existem algumas regras para o uso da vírgula, e elas são baseadas na gramática. Deu medo, né? Calma, o meu objetivo aqui é mastigar a gramática pra que você não estrague seus dentes ;-)

1. Use a vírgula para separar elementos que você poderia listar

Veja esta frase:

João Maria Ricardo Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que os nomes das pessoas poderiam ser separados em uma lista:

Foram almoçar:

  • João
  • Maria
  • Ricardo
  • Pedro
  • Augusto

Isso significa que devem ser separados por vírgula na frase original:

João, Maria, Ricardo, Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que antes de “e Augusto” não vai vírgula. Como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Há um caso específico que eu explico daqui a pouco. Um outro exemplo:

A sua fronte, a sua boca, o seu riso, as suas lágrimas, enchem-lhe a voz de formas e de cores… (Teixeira de Pascoaes)

2. Use a vírgula para separar explicações que estão no meio da frase

Explicações que interrompem a frase são mudanças de pensamento e devem ser separadas por vírgula. Exemplos:

Mário, o moço que traz o pão, não veio hoje.

Dá-se uma explicação sobre quem é Mário. Se tivéssemos que classificar sintaticamente o trecho, seria um aposto.

Eu e você, que somos amigos, não devemos brigar.

O trecho destacado explica algo sobre “Eu e você”, portanto deve vir entre vírgulas. A classificação do trecho seria oração adjetiva explicativa.

3. Use a vírgula para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase.

Quando um tipo específico de expressão — aquela que indica tempo, lugar, modo e outros — iniciar a frase, usa-se vírgula. Em outras palavras, separa-se o adjunto adverbial antecipado. Exemplos:

Lá fora, o sol está de rachar!

“Lá fora” é uma expressão que indica “lugar”. Um adjunto adverbial de lugar.

Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.

“Semana passada” indica tempo. Adjunto adverbial de tempo.

De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.

“De um modo geral” é sinônimo de “geralmente”, adjunto adverbial de modo, por isso vai vírgula.

4. Use a vírgula para separar orações independentes

Orações independentes são aquelas que têm sentido, mesmo estando fora do texto. Nós já vimos um tipo dessas, que são as orações coordenadas assindéticas, mas também há outros casos. Vamos ver os exemplos:

Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar em Mana Maria. (A. de Alcântara Machado)

Nesse exemplo, cada vírgula separa uma oração independente. Elas são coordenadas assindéticas.

Eu gosto muito de chocolate, mas não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, porém não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, contudo não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, no entanto não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, entretanto não posso comer para não engordar.

Eu gosto muito de chocolate, todavia não posso comer para não engordar.

Capiche? Antes de todas essas palavras aí, chamadas de conjunções adversativas, vai vírgula. Pra quem gosta de saber os nomes (se é que tem alguém), elas se chamam orações coordenadas sindéticas adversativas. (medo!)

Agora só faltam mais duas coisinhas:

Quando se usa vírgula antes de “e”?

Vimos aí em cima que, como regra geral, não se usa vírgula antes de “e”. Tem só um caso em que vai vírgula, que é quando a frase depois do “e” fala de uma pessoa, coisa, ou objeto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Assim:

O sol já ia fraco, e a tarde era amena. (Graça Aranha)

Note que a primeira frase fala do sol, enquanto a segunda fala da tarde. Os sujeitos são diferentes. Portanto, usamos vírgula. Outro exemplo:

A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino (F. Namora)

Mesmo caso, a primeira oração diz respeito à mulher, a segunda aos filhos.

Existem casos em que a vírgula é opcional?

Existe um caso. Lembra do item 3, aí em cima? Se a expressão de tempo, modo, lugar etc. não for uma expressão, mas sim uma palavra só, então a vírgula é facultativa. Vai depender do sentido, do ritmo, da velocidade que você quer dar para a frase. Exemplos:

Depois vamos sair para jantar.
Depois, vamos sair para jantar.

Geralmente gosto de almoçar no shopping.
Geralmente, gosto de almoçar no shopping.

Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.
Semana passada todos vieram jantar aqui em casa.

Note que esse último é o mesmo exemplo do item 3. Vê como sem a vírgula a frase também fica correta? Mesmo não sendo apenas uma palavra, dificilmente algum professor dará errado se você omitir a vírgula.

Não se usa a vírgula!

Com as regras acima, pode ter certeza de que você vai acertar 99% dos casos em que precisará da vírgula. Um erro muito comum que vejo é gente separando sujeito e predicado com vírgula. Isso é errado, e você pode ser preso se for pego usando!

Jeito errado:

João, gosta de comer batatas.

Alice, Maria e Luíza, querem ir para a escola amanhã.

Jeito certo:

João gosta de comer batatas.

Alice, Maria e Luíza querem ir para a escola amanhã.

Bastante ou bastantes?

Bastante ou bastantes? Ficou surpreso com a pergunta? Você não é o único, já que a maioria dos falantes do português brasileiro está habituada a utilizar o termo no singular, isto é, “bastante”. Acontece que nem sempre o “bastante” deve ser empregado no singular, e para saber quando ele deve ser flexionado no plural, é preciso ficar atento para seus diferentes usos e diferentes papéis dentro de uma oração.


Agora que já sabe que bastante e bastantes existem e ambos estão corretos na modalidade padrão da língua, falta saber que essa palavra pode ser advérbio, adjetivo e também um pronome indefinido, ou seja, ela tem mil e uma utilidades! O fato de apresentar-se de diferentes maneiras e em diferentes classificações gramaticais pode confundir os menos cautelosos com a língua, mas acompanhe a explicação a seguir e aprenda a lidar com esse vocábulo tão curioso:


Quando o “bastante” for um advérbio de intensidade: Esse é o seu uso mais comum, aquele com o qual estamos mais habituados. Quando queremos intensificar uma ideia, logo empregamos o “bastante”, que tem o significado de “muito”. Quando atuar como um advérbio, a palavra “bastante” não sofrerá variação, isto é, não será flexionada no plural e virá ligada a um verbo, advérbio ou adjetivo. Observe os exemplos:


As crianças comeram bastante no lanche da tarde!
As amigas são bastante queridas!
Estudamos bastante para a avaliação de Português.


► Quando o “bastante” for um adjetivo: Ao contrário de quando atua como advérbio, a palavra “bastante”, quando adjetivo, é variável, isto é, pode sofrer flexão de número, e o termo subsequente na oração deverá concordar com essa variação. Quando houver dúvida sobre empregá-la ou não no plural, faça a substituição pela palavra “suficiente”.


Observe:

Já há bastantes brinquedos em seu quarto!
(Já há brinquedos suficientes em seu quarto!)

Já há bastantes livros na prateleira.
(Já há livros suficientes na prateleira.)


► Quando o “bastante” for um pronome indefinido: Quando a palavra “bastante” assumir a função de pronome indefinido, ela expressará qualidades ou quantidades indefinidas e surgirá na frase antes de um substantivo com o qual concordará em número, ou seja, é variável. Exemplos:


Bastantes pessoas foram às ruas protestar contra a corrupção. (Muitas pessoas, não é possível precisar quantas)
Vimos bastantes livros na biblioteca. (Vários livros, não é possível quantificá-los)

Como você mesmo viu a partir dos exemplos utilizados, o que definirá se a palavra “bastante” será utilizada no plural ou não é a função que ela desempenhará na frase. Ela somente não sofrerá variação de número quando assumir o papel de advérbio de intensidade, mas quando atuar como adjetivo ou pronome indefinido essa variação poderá ocorrer.