Modernismo

Ian, Laura, Luiz Augusto, Ralitsa. 3ºG

Artes Visuais

O cubismo foi uma das vanguardas modernas do início do séc. XX, que se manifestou principalmente nas artes visuais com Picasso e Braques, mas que se desenvolveu também na literatura. Historicamente, o movimento cubista iniciou-se com Paul Cézanne, pois ele representava a natureza a partir de formas geométricas, mas foi com a obra "Les demoiselles d'Avignon", feita em 1907 por Pablo Picasso, que o cubismo foi formalmente representado, sob fortes influências de Cézanne e de máscaras africanas. A partir disso, artistas como Georges Braques, Juan Gris, Roberts Delaunay e Fernand Léger se destacaram como os principais do movimento.

A intenção dos artistas cubistas era a decomposição, fragmentação,a geometrização de todas as formas e a simultaneidade de visualizações, de diferentes ângulos sobre o mesmo objeto. A representação do mundo não tinha o menor compromisso com a realidade, as obras não tinham perspectiva, tudo era representado em um único plano.

O cubismo se subdividiu em duas vertentes, o analítico e o sintético. O cubismo analítico (1909-1912) desestruturava a obra em todos seus aspectos, registrando planos simultâneos e sobrepostos, procurando a visão total das figuras. As cores se resumiam em tons de marrom, cinza e beje. Essa fragmentação da imagem foi tão intensa que era impossível reconhecer qualquer figura nas obras. Com isso, surgia a necessidade de não apenas observar a obra, mas decifrar, entender o seu significado real.

Já o cubismo sintético, iniciado em 1912, tinha o propósito de tornar a imagem reconhecível novamente, em reação ao cubismo analítico. Os artistas inseriram a colagem aos quadros, utilizando jornal, pautas musicais, livros, madeira e outros materiais. Eles buscavam criar efeitos plásticos, ultrapassando as sensações visuais. Além disso, utilizavam cores mais fortes e diminuíram a excessiva geometrização da imagem.

No Brasil, o cubismo ganhou espaço depois da SAM, em 1922. Os artistas brasileiros mais conhecidos são Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Rego Monteiro e Di Cavalcanti.

Artes Cenicas

O Dadaísmo surge durante a primeira guerra mundial por meio do encontro de artistas refugiados que tinham como objetivo chocar a burguesia com sua arte. Esse movimento expressa as consequências da guerra: o sentimento de revolta, de agressividade, de indignação, de instabilidade.

Os artistas desse período eram contra o capitalismo burguês e a guerra promovida com motivação capitalista. A intenção desta vanguarda é destruir os valores burgueses e a arte tradicional.

Principais características do dadaísmo:

-elementos mecânicos;

-desejo de romper o limite entre as varias modalidades artísticas

- Irreverência artística

- Combate às formas de arte institucionalizadas;

- Crítica ao capitalismo e ao consumismo;

- Ênfase no absurdo e nos temas e conteúdos sem lógica;

- Uso de vários formatos de expressão (objetos do cotidiano, sons, fotografias, poesias, músicas, jornais, etc) na composição das obras de artes plásticas;

- Forte caráter pessimista e irônico, principalmente com relação aos acontecimentos políticos do mundo.


"Dada não significa nada... A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta... não sou nem a favor nem contra, e não vou explicar porque razão odeio o bom-senso..."

- Tristan Tzara

Peça Teatral

Hugo Ball on DaDa!

No cenario podemos perceber o uso de varias formas de espressoes como a musica e a dança. Notamos tambem o uso de objetos comuns do cotidiano que são apresentados de uma nova forma e dentro de um contexto artístico.

Uma das imagens mais conhecidas do dadaísmo é sua fotografia na noite de apresentação de estreia de sua poesia fonética em Zurique, com o figurino criado pelo poeta para a ocasião.

Sobre a peça

Um dos principais artistas dadaístas é Hugo Ball, reconhecido por seus poemas sonoros (poemas sem palavras), tal como "Karawane" (1917), poema em alemão com palavras sem sentido, metáfora da insignificância do homem frente à barbárie. Sua poesia interagia com um novo formato de teatro, a performance, da qual foi um pioneiro .

A performance resulta da fusão de expressões como o teatro, o cinema, a dança, a poesia, a música e as artes plásticas. Na maioria das vezes seguia um roteiro, possibilitando que a peça fosse reproduzida em momentos diferentes. A platéia desta era quase sempre restrita ou mesmo ausente e, assim, depende de registros - através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos - para se tornar conhecida do público. Muitas vezes o público reagia com as apresentações gerando o que os artistas dadaístas pretendiam o caos.

Para os dadaísmo o importante nas palavras não é seu significado, e sim sua sonoridade. O som é intensificado com o grito, o urro contra o burguês e seu apego ao capital. Podemos perceber essa preocupação sonora no poema Karawane de Hugo Ball.


Música

Schoenberg - Pierrot Lunare

Complete performance: Schoenberg's Pierrot lunaire

A obra “Pierrot Lunaire”, composta em 1912, foi feita por Schoenberg na fase em que fazia música atonal. Nessa época algumas de suas composições faziam referência ao pensamento do pintor Wassili Kandinsky, que buscava a abstração enquanto ele buscava a atonalidade. Schoenberg foi muito criticado nessa época, pois tentava ir contra as características clássicas da música. “Pierrot Lunaire” foi composto no final de sua fase atonal. Ela é uma obra muito conhecida pelo fato de ser para um pequeno grupo instrumental e ter uma cantora atriz (fazendo a parte vocal meio falada, meio cantada), possibilitando a obra de ser apresentada em diversos lugares da Europa.

Na música percebe-se a atonalidade, harmonias dissonantes, os instrumentos tocam notas isoladas, a melodia é frenética com grandes contrastes. Há presença da cantora que faz a parte vocal segundo o que Schoenberg chamava de sprechgesang que seria o fato de ser meio cantado, meio falado. Os principais instrumentos utilizados na obra são: violino, piano, viola, violoncelo, flauta, flautim, clarinete e a cantora. Outro fato importante é que a obra é dividida em 21 partes.

Schoenberg - Transfigured Night for String Sextet, Op. 4

Arnold Schoenberg - Transfigured Night for String Sextet, Op. 4

O poema sinfônico Verklärte Nacht, composta em 1899, é a primeira obra de Schoenberg que ganhou de fato um bom reconhecimento público. Ele se baseou no poema de Richard Dehmel para elaboração da música. Assim, é uma música programática por contar uma história, a do poema. A música, assim como o poema, é dividida em cinco partes: na primeira parte, um casal caminhando no bosque a noite; na segunda, a mulher confessa ao homem que terá um filho que não é dele; na terceira, a mulher caminha em silencio pensando que seria o fim do seu relacionamento; na quarta, o homem a perdoa e diz que aquela noite tem um brilho diferente que irá transformar a criança do estranho em seu próprio filho; na quinta, o casal se beija e caminha ao anoitecer. A obra se caracteriza por uma expressividade intensa e profunda. Schoenberg faz uso de cromatismos, se inspirando em Wagner e também de polimetrias. A peça é tonal, mas faz uso de ambiguidades harmônicas, ou seja, o mesmo evento musical sendo interpretado pelo ouvido por funções harmônicas diferentes. A obra foi vítima de muitas críticas por ter um conteúdo sexual muito explicito para aquela época e também pelo fato de ter usado muito cromatismos e trechos quase atonais. Os instrumentos utilizados são: dois violinos, duas violas e dois violoncelos (sexteto de cordas).


Webern - Five Pieces for Orchestra Op.10

Webern - Five Pieces for Orchestra Op.10
Na música “Five Pieces for Orchestra Op.10”, composta em 1909, Webern utiliza os instrumentos como solistas, tocando notas quase sempre isoladas, sendo que acontecem no máximo quatro notas ao mesmo tempo. É uma música curta, dura em torno de 5 minutos, carregada de expressão nas notas e também nos espaços entre as notas. O uso de sua técnica é comparado muitas vezes a dos pintores pontilhistas que botavam em sua tela minúsculos pontos, assim como ele colocava os timbres como pequenas fagulhas. Os principais instrumentos usados por Webern na música são: harpa, violino, clarineta, xilofone, trompete, oboé, viola, trombone, caixa, surdo, tuba, tímpano, violoncelo e triângulo.

Português

Semana de Arte Moderna - O grito pela liberdade de expressão

A Semana de Arte Moderna ocorreu em fevereiro de 1922, durante a República Velha, período de agitações, marcado por conflitos ideológicos tradicionalistas e reformistas. Esta contou com escritores, pintores, músicos e escultores. Essa nova geração intelectual buscava romper com todos os elos do passado, ou seja, com o século XIX e buscavam uma expressão nacional, para isso, optaram por usar uma linguagem popular, informal e coloquial oral. A SAM repercutiu em todo Brasil e incentivou uma discussão importante para o processo de formação cultural brasileira em torno de uma nova arte exclusivamente brasileira.

A semana aconteceu 100 anos após a independência do Brasil, levantando a questão: quando vamos declarar a independência cultural brasileira? A fim de alcançar essa independência, destacaram-se Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura evidenciou-se Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, entre outros. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, receberam diversas criticas da sociedade da época.

Entre essas críticas podemos citar a de Monteiro com relação à exposição de Malfatti no artigo “Paranoia ou Mistificação?” publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917, provocando a polêmica que afastaria os seus seguidores modernistas: “Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas(..) A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (...) Embora eles se dêem como novos, precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação.(...) Essas considerações são provocadas pela exposição da senhora. Malfatti onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia”.

Com a crítica de monteiro Lobato as obras de Malfatti foram rejeitadas pela elite paulista, acarretando devoluções, escândalos, tentativa de agressão a pintora. Mas sua exposição serviu como um aviso do movimento que explodiu na Semana de Arte Moderna.

Alguns artistas da SAM

Obras participantes da SAM

HISTORIA DO BRASIL SEMANA DE ARTE MODERNA
Big image
O século XX foi marcado pelos avanços tecnológicos e científicos que mudaram a vida dos homens. Para expressar as mudanças do mundo criou-se concepções artísticas sobre a realidade como o Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Surrealismo e Dadaísmo. Essas vanguardas influenciaram bastante os intelectuais brasileiros, principalmente aqueles que mantinham contato direto com essas vanguardas, quando viajavam para a Europa, sendo de fundamental importância para a realização da SAM.

Análise de poema modernista

Pronominais


Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

Deixa disso camarada

Me dá um cigarro.

- Oswald de Andrade



No poema podemos perceber o uso da linguagem coloquial em “me dá um cigarro”, traço característico do período moderno. Utiliza-se a linguagem espontânea, sem preocupação no que diz respeito à sintaxe.

Notamos o rompimento com as antigas escolas literárias por meio do predomínio de versos livres, que são aqueles que não se baseiam em critérios predefinidos de métrica ou rima.

O poema por ser de Oswald de Andrade ,um dos maiores representantes do modernismo brasileiro, é um importante símbolo desse movimento. Nele é abrangido a maioria das características do modernismo principalmente com relação a temática e a linguagem coloquial. Os modernistas têm como foco em sua temática os excluídos como sertanejos, imigrantes, negros, pobres, e a linguagem utilizada é a popular, ou seja, sem uma preocupação normativa.

Oswald de Andrade optou por tais características devido a ideologia de resgatar uma literatura que fosse mais voltada para as raízes nacionais ,ou seja, uma língua genuinamente brasileira.

A semana marca o advento do modernismo brasileiro. Esse não só rompeu com o tradicionalismo e abordou temas surpreendentes, mas como também adotou a completa liberdade de expressão. Os modernistas brasileiros interessaram-se pela arte popular para estabelecer a verdadeira identidade cultural brasileira.

Logo após as vaias e gritos no teatro municipal contra as propostas modernistas, é lançada a revista Klaxon, que tinha como objetivo a divulgação das produções da nova escola e o lançamento de quatro movimentos culturais: o Pau-Brasil, o Verde-Amarelismo, a Antropofagia e a Anta.

Esses movimentos representavam duas tendências ideológicas distintas, duas formas diferentes de expressar o nacionalismo.

O movimento Pau-Brasil procurava uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural e na aceitação e valorização das riquezas e contrastes da realidade e da cultura brasileiras.

A Antropofagia, Oswald propõe a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural.

Em oposição a essas tendências, os movimentos Verde-Amarelismo e Anta, defendiam um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para o nazifascismo.

A SAM teve uma importância primordial na revisão dos valores estéticos e nas discussões intelectuais do Brasil. Apesar do acesso ao conhecimento e o analfabetismo serem dois grandes entraves desse período, o evento teve grande importância para que outras manifestações artísticas surgissem posteriormente. Na década de 1960, por exemplo, o movimento tropicalista assumiu explicitamente a influência desse rico capítulo da cultura nacional.

Dois anos após a semana Paulo Prado, o principal financiador da Semana de arte Moderna avalia positivamente os resultados do evento e escreve:

“A Semana de Arte veio revelar ao deserto do nosso mundo lunar que uma nova modalidade de pensamento surgira como uma grande Renascença moderna. Com ela, aparece, entre nós, o sentimento de inquietação e independência que é o característico da nova feição do espírito humano. O mundo já está cansado das fórmulas do passado; em toda a parte, em todos os terrenos - na estética da rua, no anúncio, nas reclames, nos jornais ilustrados, nas gravuras, na mobília, na moda [...]” (BRECHERET o Estado de S. Paulo, COUTINHO, 1970, p. 18).