Relação entre Grotesco e o Belo

Visões distintas

O Grotesco ( Da onde vem, o que pode ser, o que muitos acham que é )

Conceito Formal: adj. Que suscita o riso por sua extravagância: personagem grotesca.
Ridículo, excêntrico, cômico: figura grotesca.
Gênero grotesco, oposto ao sublime.
S.m. Indivíduo ridículo, caricato.

Origem: Grotesco é um derivado do termo latino grotto que significa gruta ou pequena caverna. A expressão grotesco surgiu no século XIV quando foram descobertos soterrados em Roma, por acaso, corredores e salões do antigo complexo palacial Domus Aurea, uma construção requisitada pelo imperador Nero após o grande incêndio que consumiu boa parte da cidade em 64 d.C. (o qual se atribui a ele). Nesses espaços subterrâneos reabertos depois de quase mil e quinhentos anos foram descobertas imagens, figuras, estátuas compostas de pessoas ou deidades metade gente e metade animal ou metade figura mítica. A palavra grotesco passou a ser utilizada não somente em meios artísticos mas também em outras áreas como, por exemplo, na literatura e arquitetura.

Visão Atual: Algo que causa repulsão imediata por se afastar do que é considerado normal e adequado. Muitas vezes causam estranheza, risos e faz pensar até onde se pode chegar para tornar algo diferente.

Visão pré-modernista: basicamente aquilo que se opõe ao conceito de belo, que se mostra estranho aos olhos da sociedade da época, que se vê presa numa opinião determinada por um longo período de tempo. O grotesco chama a atenção, causa atração por ser diferente.


A nossa visão: o grotesco é a mistura de tudo isso e ainda mais, um adjetivo que hoje, numa opinião popular, está ligada a um preconceito pejorativo, devido à causa da estranheza e repulsão, isso por que não há uma boa relação entre o homem e o quase homem (o que se diferencia, o humanoide). O que deve ser levado em conta é a relação desse conceito com a arte. No que isso reflete artisticamente?

CURIOSIDADE TEATRAL - Estudo da relação do Grotesco e o homem (através das suas diversas visões de mundo)

http://www.ciateatrobalagan.com.br/pesquisas/do-inumano-ao-mais-humano/


O grupo teatral se baseou em estudos cênicos relacionados ao homem e seu conceito de realidade, de belo, de grotesco. " O que não é humano; o que está além ou aquém do humano; aquilo que o homem rejeita como humano; o que é anterior, ou posterior, ao humano, entre outras. "




Teatro Grotesco

2º Festival de Teatro Grotesco do N.ex.T

A literatura e o grotesco nas diversas formas (Recorte de uma reportagem)

Poetas portugueses transformam o grotesco em literatura - Thiago Minami, especial para a Agência USP



As letras de música do funk carioca escandalizam muita gente pelo conteúdo sexual, às vezes ofensivo, e palavras de baixo calão. O uso desses recursos, no entanto, não é dos dias de hoje. Fazem parte da literatura desde os primórdios da língua portuguesa, quando eram aplicados pelos poetas na composição das chamadas “cantigas de escárnio e maldizer”. Pense no pior palavrão que conhece e, certamente, ele esteve presente nas composições da época.

Linguagem do grotesco é carregada de imprecações, difamações e baixo calão


Linguagem carregada de imprecações, difamações, uso de baixo calão e referências ao baixo material corporal. Comparações e metáforas que transformam o homem em animal. Exagero em descrições corporais, paródias e ironias constantes e criação de um mundo inacabado e ambivalente. Essas são as principais características do chamado “grotesco”. Rogério Caetano de Almeida, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, analisou a presença desses elementos na poesia portuguesa ao longo da história, de olho em autores consagrados como Bocage, do século 18, e o contemporâneo Al Berto, entre outros.

Já as obras de Camilo Pessanha e Mario de Sá-Carneiro, ambos do início do século 20, também fazem parte da pesquisa com o lado sinistro do grotesco. Tratam de temas relacionados à morte, ao fantástico turbulento e ao lado abismal da existência.

Para Almeida, a literatura grotesca pode ter grande valor. “Apesar de seu vínculo a tudo o que é aberratório, estranho e ridículo, o grotesco está na essência do ser humano, com seus pequenos universos ainda em expansão”, escreve em sua tese de doutorado, orientada pelo professor José Horácio de Almeida Nascimento Costa. O autor acredita que juízos morais não podem afastar uma obra por ela parecer repulsiva. O uso hábil do grotesco pode produzir um texto que seja “orgânico, vivo, dinâmico e, por que não, absolutamente sublime”.

Na maior parte dos casos, o universo do grotesco na poesia portuguesa gira em torno do corpo humano. Fala-se, por exemplo, de características físicas que destoam do padrão, órgãos genitais e necessidades fisiológicas. O sexo e a sensualidade são temas constantes. Traços disso, aponta o autor, podem ser encontrados tanto na cultura elitizada quanto na popular dos dias de hoje. É o caso, por exemplo, das piadas com sentido sexual e das palavras com significado dúbio na linguagem coloquial.

Bocage teve seu ápice na sátira grotesca, que é a parte menos estudada de sua obra


Aceitação

Segundo Almeida, a aceitação do grotesco variou de acordo com a época. Pode parecer surpreendente, mas os medievais lidavam com a questão de maneira mais simples. “Eles brincavam e riam juntos. O texto, afinal, é grotesco”, explica Almeida. Naquela época, até reis como D. Afonso X escreviam cantigas de escárnio e maldizer. Numa delas, por exemplo, o monarca diz recusar uma donzela feia e flatulenta.

A poesia que leva a pecha de grotesca foi desprezada durante séculos e excluída do cânone literário, ou seja, o conjunto de obras considerado pertinente e valoroso de acordo com o modo de pensar de determinada época e local. Até hoje, é pouco estudada até nas universidades.

“Essas produções em muitos casos ficaram relegadas a um segundo plano, para não dizer desprezadas e até mesmo proibidas, seja por serem provocativas, seja por denunciarem mazelas quaisquer ou simplesmente por levarem seus ouvintes ou leitores a sorrirem”, escreve Almeida.

Para o autor, trata-se de um desperdício. O poeta Bocage, por exemplo, teve seu ápice justamente na sátira grotesca, que é a parte menos estudada de sua obra. A lacuna existe também na formação de novos leitores, que não têm acesso a poemas assim no ensino básico. “Acredito que o grotesco poderia ser apresentado para o público juvenil. Afinal, a produção literária é boa, interessante e ainda nos diverte. No entanto, a questão permeia a educação moral que algumas famílias esperam para seus filhos”, diz Almeida. Para conhecer a obra grotesca na poesia portuguesa, acesse aqui obras de Bocage,Camilo Pessanha e D. Afonso X .


E o Belo? Como fica?

O conceito de belo vem em constante adaptação e possui significados diferentes para diversas áreas de conhecimento.

-O belo clássico define-se na arte grega com base em um ideal de perfeição, harmonia, equilíbrio e graça que os artistas procuram representar pelo sentido de simetria e proporção (Praxíteles, Hermes com o Jovem Dionisio, 350 a.C.). As formas humanas apresentam-se como se fossem reais e, ao mesmo tempo, exemplares aperfeiçoados (Vênus de Milo, século I a.C.).

-A arte moderna do século XIX - romantismo, realismo e impressionismo - assume uma atitude crítica em relação às convenções artísticas e aos parâmetros do belo clássico, sancionados pelas academias de arte. A industrialização em curso e as novas tecnologias colocam desafios ao trabalho artístico, entre eles, as relações entre arte, técnica e ciência, exploradas por parte significativa das vanguardas construtivas do século XX.


Em uma publicação anônima pudemos encontrar uma visão de belo atual, popular e crítica:

"O conceito de beleza e moda são bastante relativos. Quando se passava fome o belo era ser gordo. Hoje com a abundância de alimentos o belo é ser magro. Pior ainda, o atual padrão de beleza das pessoas é o padrão cinemtográfico, que é bastante artificial. Quantas plásticas os artistas não fazem? As pessoas comuns querendo imitá-los muitas vezes põem sua vida em risco. Primeiro o próprio risco da cirurgia e depois a busca de um serviço mais barato sempre leva a um não especialista com possiveis consequencias desastrosas."


“...o belo é a perfeição que pode atingir ou atinge um objecto visto, ouvido ou imaginado” (HEGEL, 1993:33)


"Antes que surgisse a arte, o belo já existia"


O Belo pode ser considerado como aquilo que agrada aos olhos que pretende atingir o perfeito ( o limite da beleza ). Hoje se vê basicamente como o que é normal, ou acima disto, uma visão de certa forma restrita que impede uma elaboração de um conceito individual diferenciado. Não apenas como uma visão de belo relacionado ao bonito, mas sim relacionado à arte, ao homem, à natureza, à história e ao mundo em si.


Um exemplo atual e famoso na mídia. A estética do grotesco e a fama!

Lady Gaga e a Estética do Grotesco (Monografia - Rafael Menezes)

Discussão sobre o belo e o feio - UMBERTO ECO

UMBERTO ECO: O BELO E O FEIO (HISTÓRIA DA BELEZA E HISTÓRIA DA FEIURA)

Reflexão

O Belo foi o ponto de partida para uma comparação, ou seja, isso significa que o que não é belo está fora do padrão, indo em direção ao feio e consequentemente ao (quase) limite, o grotesco ( aquilo que se distancia ao máximo do conceito de belo).

" Todos nós queremos agradar, chamar atenção, atingir o perfeito, seja ele belo ou grotesco. Estar em meio termo significa não ter importância nos dias de hoje"